27.2.08

Retrato social de uma capital onde a pobreza é cada vez mais crónica

in Jornal de Notícias

25 mil processos

Quantidade de pessoas e agregados familiares apoiados pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. Neste grupo incluem-se vários tipos de carências, desde a alimentação até à ajuda em domicílio a idosos isolados. O valor corresponde aos processos que se mantêm abertos e activos nos últimos três anos.

Envelhecida e pobre

Com 560 mil habitantes, o concelho de Lisboa possui uma idade média de 44 anos, mas a população com 65 anos ou mais já atinge os 24%. Em 2005, o valor médio das pensões que recebiam os 136 mil usufruidores das pensões de velhice mantinha-se nos 480 euros mensais. Porém, as reformas de 24 mil desses beneficiários não iam além dos 315 euros. O relatório refere ainda que, durante 2006, 4.330 pessoas recebiam o Rendimento Social de Inserção.

Conjugação de factores

A pobreza extrema em Lisboa tende a ser cada vez mais crónica, devido à convergência de vários factores num só agregado, como o desemprego, a iliteracia, a monoparentalidade ou a prática de uma economia paralela e informal. A maior visibilidade deste tipo de pobreza não ultrapassa, mesmo assim, a que permanece escondida por vergonha e que grassa entre os idosos.

Grupos afectados

A cultura e hábitos próprios dos imigrantes oriundos dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e do Leste, que residem nas 53 freguesias de Lisboa, podem potenciar exclusão social. As mulheres continuam a ser as mais afectadas pelo desemprego que, aliado à monoparentalidade, pode originar situações de pobreza extrema e que estas não podem controlar. O risco de pobreza é ainda elevado entre as crianças e jovens de bairros periféricos da capital, com especial incidência nos aglomerados habitacionais de realojamento.