25.11.08

Secretário de Estado diz que evolução do país depende do que for feito na região norte

Aníbal Rodrigues, in Jornal Público

Fernando Medina salienta que é obrigatório apostar no aumento da formação e lembra os empregos criados com mais escolaridade


O secretário de Estado do Emprego e da Formação, Fernando Medina, defendeu ontem que o grau de evolução de Portugal depende, em grande medida, do que se passar na região norte e, nomeadamente, da forma como esta irá melhorar as qualificações da sua população. "Muito do que seja feito aqui vai determinar a nossa sorte colectiva, o que vamos fazer ao nível do desenvolvimento", afirmou Fernando Medina, ao intervir na conferência O Norte e o QREN, Um Ano Depois, que se realizou no Porto.

O secretário de Estado sublinhou a necessidade de a população activa apostar em formação, aproveitando, por exemplo, o programa Novas Oportunidades. E apresentou alguns números. Entre 2005 e 2008, a criação líquida de emprego na região norte foi praticamente nula, ou seja, perderam-se 58.000 postos de trabalho e criaram-se outros tantos. Mas o dado mais relevante é que os empregos perdidos equivaliam a níveis de formação básica, ao passo que os criados já corresponderam ao patamar secundário e superior.

Fernando Medina citou o exemplo genérico de uma fábrica têxtil antiquada, com muita mão-de-obra, sobretudo feminina, relativamente jovem e com baixos níveis de escolaridade. Para estas operárias poderem passar para uma moderna empresa têxtil terão de saber, pelo menos, inglês e trabalhar com um computador. "E não há formação profissional que lhes valha. Nós temos que fazer primeiro os níveis de competência de base", avisou.

Por seu turno, o presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN), Carlos Lage, fez um balanço "mitigado" do primeiro ano de aplicação do QREN, nomeadamente devido ao facto de a região norte ser responsável por 43 por cento das exportações do país e de estas estarem fortemente condicionadas pela actual conjuntura económica adversa. Mas Carlos Lage encontra motivos de regozijo, como é o facto de 50 por cento das verbas do Programa Operacional que abrange a formação profissional estarem destinadas à região.

O responsável pela CCDRN qualificou também como "excelente" os 25 por cento de aprovação, até ao momento, do Programa Operacional da Região Norte. Carlos Lage acrescentou que se tem verificado uma "aceleração" nos processos de concessão de fundos comunitários, uma vez que estes provocam "um efeito anticiclo" face à actual conjuntura de crise económica. Tal não significa um menor rigor na concessão destes apoios, conforme fez questão de salientar.

Lage destacou ainda o apoio a sectores emergentes, como o da saúde, que, na sua opinião, será ainda mais relevante no futuro.