20.4.09

Estado "não pode deixar" de apoiar empresas

in Jornal de Notícias

O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos afirmou que o Estado "não pode deixar" de apoiar as empresas numa altura de crise.

"O Estado não pode deixar de intervir e apoiar as empresas a defender o emprego", disse o ministro das Finanças, reagindo às declarações do Presidente da República, Cavaco Silva.

Teixeira dos Santos, que falava aos jornalistas à margem de uma cerimónia de homenagem realizada na sua terra natal em Moreira, na Maia, adiantou que "não entende" as declarações de Cavaco Silva como sendo recados para o Governo, mas antes como a manifestação de uma "preocupação" com a situação económica.

"Todos vivemos com preocupação, todos temos razões para estar preocupados com a conjuntura económica e com o agravamento do desemprego. É perfeitamente natural, e até salutar, que os portugueses se preocupem e que os responsáveis políticos também o façam. Esta situação exige a responsabilidade e a preocupação de todos nós", observou o ministro.

Quanto às críticas de Cavaco Silva sobre a existência de empresários e gestores "submissos em relação ao poder político", Teixeira dos Santos considera que o Estado não pode deixar de apoiar as empresas, embora a dependência esteja a modificar-se.

"Durante muitos anos havia uma cultura em que o sector privado sempre que tinha que enfrentar grandes desafios procurava obter apoios do Estado. Isso pode ter criado, muitas vezes, algumas formas de dependência. Mas creio que essa postura tem vindo cada vez mais a modificar. Numa economia mais global e competitiva, os empresários sabem que não podem depender do Estado", sublinhou.

O ministro rejeitou também a ideia que o Governo tenha os empresários e os banqueiros na mão.

"Não tenho, nem quero ter, nem gostaria de ter, e essa é uma responsabilidade demasiado grande para um governo ter pessoas ou entidades a depender de si dessa forma. Terão de ser os agentes económicos a ser responsáveis por si próprios", afirmou.

Cavaco Silva disse sexta-feira que seria politicamente perigoso e eticamente reprovável repercutir os custos da situação económica sobre os mais desfavorecidos.

Numa intervenção na abertura do IV Congresso da Associação Cristã de Empresários e Gestores, na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, o Chefe de Estado, defendeu que "é preciso ter coragem de, em vários domínios, começar de novo".

"Seria um erro muito grave, verdadeiramente intolerável, que, na ânsia de obter estatísticas económicas mais favoráveis e ocultar a realidade, se optasse por estratégias de combate à crise que ajudassem a perpetuar os desequilíbrios sociais já existentes ou que hipotecassem as possibilidades de desenvolvimento futuro e os direitos das gerações mais jovens", salientou, reconhecendo que existe esse "risco efectivo".