30.3.11

Direcção Regional de Educação investiga escola acusada de discriminar crianças ciganas

in Público on-line

A Direcção Regional de Educação do Algarve (DREAl) informou hoje que pediu uma investigação com carácter de urgência sobre o alegado tratamento discriminatório de crianças ciganas na escola EB 1 das Sesmarias, em Albufeira.

“Tendo tido conhecimento da situação descrita, hoje dia 30 de Março, foi solicitado de imediato que se procedesse às averiguações necessárias para esclarecimento dos procedimentos referenciados”, refere à agência Lusa, por escrito, o director regional de Educação do Algarve, Luís da Silva Correia.

A escola EB 1 das Sesmarias, em Albufeira, foi na terça-feira acusada pelo PS local de “tratamento discriminatório de crianças de etnia cigana” num comunicado intitulado “Os caminhos tortuosos da Educação no concelho de Albufeira”.

O PS acusava o agrupamento vertical de escolas EB 1, 2 e 3 Martim Fernandes em Albufeira de “autoritarismo”, “segregação” e “tratamento discriminatório de crianças de etnia cigana”.

O caso mais recente que os socialistas de Albufeira relatam refere-se a um alegado surto de sarna na escola na qual as medidas tomadas pelos responsáveis foram no sentido de proibir as crianças ciganas de irem à escola.

Em declarações à Lusa, o director do agrupamento escolar, Aurélio Nascimento, confirmou que um grupo de alunos, “cerca de oito, alguns de etnia cigana e outros não, contrariamente ao que é afirmado”, apresentavam “sintomas de escabiose humana” e que, como forma de prevenir a saúde daquela comunidade escolar, “foi contactado telefonicamente o Centro de Saúde”.

Um outro alegado caso de “segregação” e “discriminação” que o PS aponta ao agrupamento de escolas relaciona-se com o facto do transporte escolar das crianças ciganas ser efectuado pela Câmara Municipal de Albufeira em momentos diferentes das demais crianças.

“Estas práticas evidenciam comportamentos, marcadamente autoritários, prepotentes, segregacionistas e indiciários da existência de um tratamento discriminatório na referida escola e no respectivo agrupamento”, adiantam.

Sobre esta acusação, Aurélio Nascimento explica que a rede de transportes escolares “não é da responsabilidade deste agrupamento”, todavia, afirma compreender que há condicionantes, como por exemplo a “residência dos alunos e os circuitos pré-estabelecidos”.