19.11.15

Empresas pouparam mais de mil milhões em benefícios fiscais

Sandra Afonso, in RR

EDP, Pingo Doce e Autoeuropa entre os mais beneficiados.

A EDP, liderada por António Mexia (na foto), foi uma das empresas que mais poupou com benefícios fiscais em 2014. Foto: Lusa

No ano passado, as empresas pouparam mais de mil milhões em impostos graças a benefícios fiscais, revelam dados divulgados pela Autoridade Tributária e Aduaneira.

Os fundos de pensões da banca estão entre os que mais beneficiaram, destacando-se ainda empresas sediadas na zona franca, a EDP, o Pingo Doce e a Autoeuropa.

Quando vista por beneficiário, o fundo de pensões do Banco de Portugal lidera a lista, com mais de 50 milhões de euros em benefícios fiscais.

Os fundos dos maiores bancos a operar em Portugal rondam os 20 milhões e os dos restantes bancos estão entre os cinco e os 10 milhões. Mas não são os únicos: a Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores teve um benefício de 23 milhões.

Com fundos de pensões e equiparáveis, o Estado deixou de cobrar quase 200 milhões de euros no ano passado.

Também de cerca de 200 milhões foi a redução da taxa concedida na zona franca da Madeira. Um exemplo é a extinta PT Ventures SGPS, da ex-Portugal Telecom, que beneficiou em 2014 de mais de sete milhões de euros. Mas foi a Saipem Portugal, empresa de comércio marítimo sedeada na zona franca, que liderou os benefícios (mais de 50 milhões).

No continente, destacam-se, por exemplo, a EDP, que em 2014 somou mais de 24 milhões em benefícios, e o Pingo Doce, que arrecadou mais de cinco milhões, entre eles 3,6 milhões de euros com donativos.

Muitas empresas beneficiam de deduções por incentivos ao investimento e à criação de emprego (as duas rubricas representaram mais de 150 milhões). A Autoeuropa e a Unicer, por exemplo, fecharam 2014 com quase 3,5 milhões de euros de benefícios fiscais. A Continental Mabor conseguiu o dobro.

Na área social, as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, que se dedicam ao acompanhamento de doentes psiquiátricos, e a Santa Casa da Misericórdia do Porto estão entre os que mais beneficiaram, poupando em impostos cerca de 11,5 milhões de euros.